Microalgas promissoras na produção de alimentos

Nov 08
Microalgas promissoras na produção de alimentos Estos tubos são utilizados na produção de algas na planta da Alltech, em Winchester, KY (EUA).

Artigo escrito por JoAnn Alumbaugh para o portal Pork Net

Elas são pequenas, verdes, e contêm proteínas e óleos. Cientistas estão animados sobre o uso de microalgas, não apenas em benefício de humanos e animais, mas também como uma solução alternativa aos recursos naturais escassos aos quais temos acesso.

Um estudo recente mostra que a utilização de algas na ração animal pode ajudar a limitar o aumento da temperatura global em no máximo 2ºC até 2100 e, possivelmente, até melhorar a situação atual, fazendo com que a concentração atmosférica de carbono seja reduzida aos mesmos níveis pré-industriais até o final deste século.

A análise “New feed sources key to ambitious climate targets” (Novas fontes-chave de alimentação para objetivos climáticos ambiciosos), publicada em dezembro de 2015 no “Carbon Balance and Management” (Equilíbrio e Gestão de Carbono), detalha como o cultivo de algas para a alimentação poderia liberar milhões de acres atualmente utilizados para produzir pasto e forragem, reduzindo a tensão existente entre segurança alimentar e cultivos de plantas para bioenergia.

Resultados do estudo mostraram que o cultivo de algas interviria diretamente no efeito estufa e que o que se espera disso é melhor do que outras soluções relacionadas à biomassa, as quais não apenas dependem de novas terras cultiváveis, mas poderiam também afetar terras que estão agindo hoje como sumidouros de carbono.

De acordo com o estudo, “Em grandes escalas, isso permite reduzirmos emissões de gases causadores do efeito estufa e retornarmos a concentrações atmosféricas de carbono do tempo pré-industrial. Embora anteriormente imaginados como inalcançáveis, os sumidouros de carbono e a suavização das alterações climáticas dessa magnitude estão dentro das possibilidades tecnológicas atuais.”.

A “Algae Biomass Organization” (Organização de Biomassa de Algas) diz que, quando combinadas com uma modesta aplicação de sequestradores de carbono, essa composição pode nos levar a incríveis reduções deste na atmosfera.

 “Substituindo apenas 10% dos alimentos para animais por algas e capturando 25% das emissões do setor energético poderia limitar o aquecimento global em 2ºC.”, segundo a organização.

Indústria Emergente

Players estabelecidos nos setores de ração e alimentação, institutos de pesquisa e algumas startups estão cada vez mais bem informadas sobre o potencial das algas, e acreditam que as possibilidades vão aumentar.

 “Hoje a indústria de algas produz aproximadamente 9 mil toneladas de peso seco por ano, fazendo deste um mercado bem pequeno frente à convencional área de commodities, como a de soja que produz 300 milhões de toneladas anualmente no mundo.”, segundo um relatório sobre algas, do Rabobank. “Futuras pesquisas e desenvolvimentos, investimentos e o envolvimento de players já estabelecidos, são necessidades para fazer com que a indústria de algas cresça.”

 “Se os desafios do processo produtivo podem ser superados, estas plantas microscópicas poderiam assumir um importante papel ao entregar proteína e ômega-3 que só seriam encontrados em produtos vindos do mar.”, registrou o estudo.

Uma década atrás, o presidente e fundador da Alltech Dr. T. Pearse Lyons, falava sobre o potencial das algas e, em 2011, a empresa comprou uma planta de algas em Winchester, no estado americano do Kentucky. Naquele momento, a planta era uma das duas maiores plantas de produção de algas no mundo, segundo a Alltech.

Produtores na Europa, Ásia e América Latina já alimentam seus animais de produção com algas, produzindo alimentos nutritivos, tais como ovos enriquecidos com DHA.

Um futuro brilhante

Rações e produtos a base de algas já provaram ser iguais ou melhores que outras opções em termos de valor nutricional e de digestibilidade, e estes poderiam liberar grandes extensões de terras aráveis e ao mesmo tempo garantir uma segurança alimentar, em tempos que a demanda por proteína animal só cresce.

“A tecnologia se desenvolve rapidamente, tanto em termos de materiais quanto de know-how de produção, porém a produção continua se desenvolvendo numa escala menor, enquanto os custos seguem muito altos.”, segundo o relatório do Rabobank. “Para superar estes obstáculos, os passos também terão que ser maiores, com mais empresas e organizações já estabelecidas participando, com intenção de gerar negócios sustentáveis na indústria de algas, melhor posicionando este segmento frente a investidores.”

Dúvidas? Fale com a Alltech:

*Fontes disponíveis sob consulta.


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