As verdades e os mitos da carne processada - Parte 2

Dez 18
As verdades e os mitos da carne processada - Parte 2

Voltando ao nosso último tema, vamos entender melhor a importância da carne no nosso organismo.

Carnes são fontes de nutrientes

O consumo moderado de carne vermelha definitivamente faz parte de uma dieta saudável! “Qualquer tipo de carne tem um papel fundamental no organismo humano de construção, reparação e energia. Ela é a base para a formação enzimática, de hormônios, reparação celular de tecidos, imunidade, como também formação de pele, cabelo e unhas”, afirma a nutricionista Teresa Cristina Blasi. Apesar isso, ela destaca que para aqueles que não comem carne vermelha, qualquer outra fonte proteica animal e algumas fontes vegetais também cumprem essa demanda do organismo.

Segundo o gerente técnico da Alltech do Brasil, equipe Bovinos de corte, Fernando Franco, “todas as carnes são alimentos extremamente concentrados em nutrientes, principalmente a carne vermelha. Isso quer dizer que com uma pequena quantidade consumida, é possível ingerir uma grande quantidade de nutrientes essenciais como vitaminas, minerais e proteínas, os quais poderiam ser ingeridos através de outros alimentos, porém se ingeridos em quantidades absurdas”.

Para exemplificar melhor o que ele disse acima, Fernando completa: “Um bom exemplo de nutriente (mas não o único), é o zinco. Um bife de 130g fornece aproximadamente 14,2 mg de zinco, ou 95% da necessidade diária. Esta mesma quantidade de zinco pode ser ingerida através de feijão, que também é um dos alimentos ‘ricos’ em zinco. Contudo, seria necessário o consumo de 3kg/dia de feijão para se obter a mesma quantidade de zinco daquele bife de 130g.”

O mesmo podemos dizer de alguns aminoácidos, ácidos graxos e vitaminas, especialmente as do complexo B. Alguns tipos de gordura só presentes na carne vermelha são essenciais para o metabolismo, principalmente de alguns hormônios sexuais relacionados à reprodução.

A carne suína

Apesar de ser a carne mais consumida no mundo, estando em primeiro lugar em países como China e Estados Unidos, no Brasil ela ainda ocupa o terceiro lugar. A gerente regional de Suínos da Alltech do Brasil, Alessandra Alves, explica que  isso acontece em virtude do desconhecimento de grande parte da população a respeito das modificações sofridas nas condições de criação dos animais, bem como nutrição e melhoramento genético que os mesmos sofreram ao longo dos anos.

Há 40 anos, o suíno no Brasil era criado solto ao redor das propriedades comendo restos de alimentos e tudo mais que encontrasse, sendo sua finalidade principal a produção de gordura (banha) que servia inclusive para conservação dos alimentos. “Temos nos dias atuais, um animal em que o objetivo é a produção de carne, sendo a gordura deste reduzida em até 80%. Dentre os benefícios proporcionados pela carne suína como sabor e suculência, tem-se o fato de ser uma carne saudável com níveis de proteína de 19 a 20%, aminoácidos essenciais em forma biologicamente disponível; sendo também excelente fonte de vitaminas do complexo B, cálcio, fósforo, ferro, zinco, potássio e magnésio”, destaca Alessandra.

Frango com hormônios: verdade ou mito?

MITO. “Nenhum frango, convencional ou orgânico, recebe hormônios em sua criação”, afirma a engenheira de Alimentos, Bruna Cenedese. Ela explica ainda que alimentar essas aves com rações enriquecidas com substâncias hormonais é proibido por uma Instrução Normativa do Ministério da Agricultura. Apesar disso, por falta de informação diversos consumidores ainda relacionam o grande potencial de crescimento dos frangos ao uso de hormônios, o que não é verdade. “Isso se deve à intensa atividade de pesquisa nas áreas de genética, nutrição, sanidade e criação da avicultura”, reforça Bruna.

É o melhoramento genético o grande responsável pelo crescimento dos frangos. A instituição governamental norte-americana Poultry Science Association mostrou em um estudo de 2014 que a escolha dos animais com as características mais atrativas do ponto de vista alimentar - como tamanho do peitoral avantajado e menor quantidade de gordura - para reprodução, aumentou em 400% o tamanho do animal de 1957 a 2005. Portanto, não existe hormônio em carne de frango e não se usa o hormônio.

Sem exageros

A nutricionista Tereza Cristina recomenda o consumo de carne vermelha de maneira equilibrada. “O excesso sempre será prejudicial, pois a carne traz em si uma quantidade significativa de colesterol e gordura saturada e sua digestão é mais lenta. A recomendação para um adulto sem nenhuma carência nutricional é de 08g/kg/dia”, destaca.

O relatório da Organização Mundial da Saúde que afirmou que a carne processada poderia provocar câncer não é motivo para deixar de consumir carne. Ela apenas reforça que o excesso pode ser prejudicial. O Dr. Drauzio Varella publicou um texto em seu site para falar sobre o assunto e finalizou dizendo: “Se quiser reduzir o risco de câncer e de outras doenças, não fume de jeito nenhum, beba pouco, faça exercícios, não engorde, coma quatro ou cinco porções de frutas e vegetais todos os dias e não fuja dos prazeres da carne, sem exageros.”.

Agora, sabendo de tudo isso, quando será o próximo churrasco?

Um abraço,

Zé Mignon



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